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O mito e a imagem

Capricórnio simbolicamente está associado à subida da vida lenta e infatigável em direção aos picos da realização espiritual. A subida ao topo da montanha. Ele é lento, paciente e prudente nesta subida. O mito da cabra, símbolo da vitalidade, do animal que dá o leite e que alimenta, é a natureza que tudo dá em abundância. Por sua natureza animal, é persistente, suporta as florestas e não costuma desistir antes de atingir seus objetivos. A figura mitológica meio bode, meio peixe, simboliza o ambiente interior, marinho, sereno, que se fortalece e se exterioriza no ambiente das montanhas. É o encontro da profundidade com a altura, simbolizando a perseverante subida em direção à Luz.
(baseado em texto de Ângela Brainer)





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Terça-feira, Novembro 30



AZEITONAS


Para quem não sabe, trabalho com arte-final. Quase todo mês chega uns folhetos de supermercados para fazer e, hoje, o computador travou quando eu tratava a foto de uma costela de boi. Enquanto tentava (em vão) salvar o trabalho que já tinha feito, divaguei, entre os tapas no monitor e na CPU, com as azeitonas postas em cima da carne, na foto, para "enfeitar".
Azeitonas resumidas a coadjuvantes de costela. Chega o paparazzi e tira a foto da costela: "- e estas azeitonas?" "- É para compor o cenário."
Vida dura (e caroço duro) a das azeitonas. Papagaios de pirata.
Nem quando fazem foto dos vidros de azeitonas elas aparecem. "- Tira esse rótulo daí!" grita uma mais desesperada.
Nesse fim de ano tô meio azeitona. Não aquelas carnudas. Aquelas que são quase só caroço. Só que sem costela para enfeitar...


Teimado por: Johnny Mau





Domingo, Novembro 28



falando de apaixonando


Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa a especialidade do meu desejo. Esta escolha, tão rigorosa que só retém o Único, estabelece, por assim dizer, a diferença entre a transferência analítica e a transferência amorosa; uma é universal, a outra é específica. Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes ( e talvez muitas procuras), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Eis um grande enigma do qual nunca terei a solução: por que desejo Esse? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente? É ele inteiro de desejo(uma silhuete, uma forma, uma aparência)? Ou é apenas uma parte desse corpo? E nesse caso, o que, nesse corpo amado, tem tendência de fetiche em mim? Que porção, talvez incrivelmente pequena, que acidente? O corte de uma unha, um dente um pouquinho quebrado obliquamente, uma mecha, uma maneira de fumar afastando os dedos para falar? De todos esses relevos do corpo tenho vontade de dizer que são adoráveis. Adorável quer dizer: este é meu desejo, tanto que único: "É isso! É exatamente isso (que amo)!". No entanto, quanto mais experimento a especialidade do meu desejo, menos posso nomeá-la; à precisão do alvo corresponde um estremecimento do nome; o próprio do desejo não pode produzir senão um impróprio do enunciado. Deste fracasso da linguagem, só resta um vestígio: a palavra "adorável" (a boa tradução de "adorável" seria ipse latino: é ele, é ele mesmo em pessoa).

Roland Barthes, em Fragmento de Um Discurso Amoroso.

Teimado por: Dulce





Sábado, Novembro 27



Se um homem, capricorniano, quer chorar, o que ele faz?

Vontade irreprimível

Estou com uma vontade de chorar.
- não chove lá fora.
Estou com uma vontade de chorar.
- a seca me faz mal.
Estou com uma vontade de chorar.
- não sou romântico,
- queria ser árcade,
- não chego aos pés de Alberto Caeiro.

Estou com uma puta vontade de chorar,
Mas não estou triste.
Não te preocupes comigo,
Não te preocupas comigo
E eu não ligo prá isso.
Só preciso curar minha vontade,
Minha vontade, louca e irreprimível, de chorar, de chorar, de chorar.

E não seque minhas lágrimas depois,
Deixe-as caindo.

Por fim, não choro.
(Homens choram?
Homens, que são homens, choram?
Homens... Que são homens? Choram?)

Teimado por: G.H.





Terça-feira, Novembro 23



DESABAFO SEM COR


Algumas coisas são difíceis de entender. A gente faz de tudo, fica afastado quando é para ficar, fica junto quando é para ficar, voa quando tem que voar, fica só quando tem que ficar. E, no final, ficamos mesmo.
Procuramos o amor perfeito sempre. Carinho, compreensão. Nada. Damos tudo da gente e nada. Nada é o suficiente. Temos que ter mais.
Assim, sem ter mais para dar, está terminando meu sonho de amor perfeito. No mais, estou indo embora.
Às vezes perco a fé nas pessoas. Não vale mais o caráter, seu esforço. Vale o que você tem de material. Eu não penso assim. E isso dói.
Dói porque a maioria pensa assim. Que mundo é esse?
Tenho que vestir Armani, ter o carro do ano, viajar para Paris.
Visto calça jeans, tenho um carro 82 (vintage, he, he...) e vou para Aparecida do Norte em janeiro.
Mas tenho amigos. Ah, isso eu tenho. Pra mim é o que vale. E livros. E discos.
E filhos, que me dão uma força, mesmo sem saber. Dandara, Cairé.
Não ligo pra o que "tenho". Na verdade, nada tenho.
TV, geladeira, microondas, Play Station 2, computadores, micro system, roupas, sapatos, dinheiro... São só coisas. Eu não sou "coisa".
Meu tesouro está no ombro (meu e dos outros), no papo, no riso, no choro junto.
Meu tesouro está nos livros, na música, no cosmo, e em mim.
Não tenho nada, escudo ou espada, chão ou escada. Não tenho nada a perder.
Amor dará e receberá, do ar pulmão, da lágrima sal.
E cada dia é um presente. E estou acordado.

Teimado por: Johnny Mau





Domingo, Novembro 21



ih, mais um ano


Não esquente, se a partir de amanhã eu der uma resposta enviesada a cada pergunta sua. Amanhã começa um temível época, o meu inferno astral. Mas o que será isto? O período conhecido popularmente como "Inferno Astral" é o mês que antecede o aniversário de alguém. Nesta época, muitas pessoas acreditam viver momentos de angústia, depressão ou até mesmo azar, atribuindo as turbulências a alguma configuração astrológica misteriosa, responde o site Porto do Céu.

Mas este tal de inferno astral existe ou é apenas impressão? Porque, pode ser coincidência, mas eu sempre me pego passando por maus bocados. Mas neste ano, pelo menos as preocupações não chegaram antes do tempo. Será que ele chega até o fim deste mês? Tomara que não. Eu só espero que pelo menos este ano, elas nem apareçam.

Para quem quer saber mais, aqui vai mais explicações sobre o temível inferno astral. Pessoas, cuidem bem dos seus cabritinhos, a fase negra (se existe) está apenas começando.

Existem algumas explicações para entender estes trinta dias temidos antes da inauguração de uma nova idade. O aniversário nada mais é do que o marco de um novo ciclo solar na vida de uma pessoa, ou seja, o Sol passa pelo mesmo ponto do Zodíaco que estava quando ela nasceu, sinalizando uma nova etapa para a sua consciência. Os dias que antecedem esta renovação são exatamente os últimos do ciclo anterior que a consciência vinha atravessando.

Pela técnica da revolução solar, cada mês do ano, a contar a partir da data do aniversário, corresponde a uma determinada casa astrológica ou setor prático da vida de uma pessoa que estará sendo vivido mais intensamente. Assim, no primeiro mês a partir do aniversário, vive-se de forma enfática a casa 1: a pessoa fica mais centrada em si mesma e em seu comportamento. O décimo segundo e último mês do ano corresponde à casa 12, trecho do mapa que analisa os sacrifícios e doações que uma pessoa deve fazer aos outros, sem esperar recompensas para isto.

Segundo o astrólogo Eduardo Maia, o "Inferno Astral" só acontece quando não percebemos que precisamos sair do palco para contemplar mais o mundo e nos desapegarmos, em benefício daqueles que precisam de uma ajuda emocional ou prática. "É um período de ser instrumento para o bem dos outros e não estar tão preocupado com causas próprias", afirma. Como isto geralmente não acontece, vem a angústia, o vazio e a sensação de desorientação.

Apesar de não ser uma força misteriosa desenfreada como muitos imaginam, existem explicações simbólicas consistentes para a crise do último mês de uma idade, mas isto não significa que acontecerão apenas coisas negativas na vida de alguém ou que seja impossível lidar bem com este período de transição. Todos têm livre-arbítrio e podem, ainda mais compreendendo o ciclo no qual estão inseridos, dedicarem este momento à reflexão e avaliação da etapa terminada, preparando-se sem tantos atropelos para a próxima.


P.S. O texto é da Roberta Tótora, editora do site Porto do Céu.

Teimado por: Dulce





Sábado, Novembro 20



Pequena lição de Clarice Lispector:

"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.
Que tem que ser vivido até a última gota.
Sem nenhum medo. Não mata."

Teimado por: G.H.





Sexta-feira, Novembro 19



FRAQUEZA

nada dói mais no peito de um capricorniano,
do que descobrir que sua sabedoria de nada vale
se ele se deixou envolver...

Teimado por: CoRa





Quinta-feira, Novembro 18



"FernAnjas"

Sempre acreditei na amizade, mas sempre aconteceu algo que me fazia parar de acreditar logo em seguida...
Sempre fui o tipo de amiga que empurra daqui, empurra dali, oferece ombro, mão, braço, perna, ouvido e está sempre do lado, grudadona mesmo, tipo chiclete, por que gosto de ter amigas assim e Mainha sempre fala: "faça com os outros o que quer que façam contigo"...
É incrível que, com o passar dos anos, esses quase 26 que vivo, as amizades foram sumindo...
Tenho amigas de muitos anos, muitos mesmo, tipo a Andressa há 21 anos, a Vitória e a K-rô há 11, Andréia há mais ou menos esse tempo, Gisa há pouco menos, algo do tipo 7, 8 anos, mais amigos que conquistei depois que comecei a viver com meu Maridóvisck que são pessoas muito especiais, mas admito: estava carente de eu mesma conquistar uma amizade como a citada acima... De conhecer alguém e ver que esse alguém é igual a mim em trocentas coisas e respeita tudo que é diferente de mim sem querer mudar ou coisa parecida, simplesmente aceita e deixa valer, até conhecer duas pessoas lindas...

FernAnjas, ou Fer e Nanda, como as chamo, são amigas que vieram sem eu pensar que poderiam vir. Chegaram e pegaram o lugar cativo e tomaram posse. São amigas, irmãs e anjas do tipo que ainda pergunta: "quer desabafar?" e completam: "se não quiser, tudo bem, fico aqui assim mesmo", ou seja, é como se fossem aquele carro, casa do tipo "sonho de consumo" que já até sumiu dos meus melhores sonhos, sabe? Então.

Uma (geminiana) - ops, sabia que eu tinha que dar um fora, rs - taurina inigualável. Mulher meiga e forte ao mesmo tempo. Escreve, inclusive é jornalista. Ama fotos. Gosta de saber e de contar detalhes, os sórdidos também.

A outra é uma virginiana apaixonante. Mulher meiga e forte ao mesmo tempo. Escreve, inclusive é jornalista. Ama fotos. Gosta de ter e estar presente o máximo de tempo, inclusive os que quase ninguém fica.

Perceberam o "ctrl+c" + "ctrl+v" que dei? Então, é isso. Elas são parecidérrimas, além de terem o mesmo nome e a mesma profissão e a mesma capacidade de tomarem parte no meu restrito mundo.

Esse texto não é pra provar que essa amizade é eterna, disso já sabemos e, mesmo que não fosse, azar!
Esse texto é só pra eu deixar registrado no tempo, esse comedor de memórias (somos três quase esquecidas), que eu amo as FernAnjas que Deus enviou pra mim na Terra e que, como comentava há uns dois dias com a Fer, a virginiana, elas foram as melhores coisas que um certo grupo do yahoo me trouxe e que esse trio é de arrasar quarteirões...

Que vontade de agora correr pro abraço, mas tudo bem, tenho aprendido a ser mais controlada nas minhas emoções (um dia vocês aprendem também, rs) e sei que o dia que esse abraço existir, vai ser de arrasar realmente! ;-)

Beijos em todos e até semana que vem...
E, pra conhecer minhas amadas, aqui e aqui.

Teimado por: Rubia Padilha





Terça-feira, Novembro 16



SILÊNCIO


Tenho ficado muito quieto ultimamente. Tenho ouvido muito o silêncio. E descobri que o silêncio não existe.
Ouço o ar-condicionado, o cooler do computador, o carro lá longe, a conversa que não entendo, a música que não toca, as palavras que não falo, o planeta girando, minha respiração, o oxigênio na pele, o besouro, o grilo, o choro, o riso, as teclas enquanto escrevo.
E tudo silencioso...

Será que o dia vai terminar? Que horas? Quando começou?
Não uso relógio. Não ouço o tic-tac.

Teimado por: Johnny Mau





Domingo, Novembro 14



onde estou?




Hoje me deu uma vontade incrível que o dia logo chegasse e eu já vivesse na realidade, o que vivo apenas em sonho. É claro que sempre me pergunto, posso viver mesmo este sonho, assim tão sutil, assim tão lindo. Mas eu só saberei se viver. Então fico no aguardo de uma felicidade futura como esta que imagino nos meus sonhos acordados e dormidos. E sonho é apenas sonho? É que às vezes tenho a impressão que eles são mais reais que a realidade que vivo. O dia começa e termina e fico tentando imaginar qual seria a realidade do dia. E meu sonho vem a mente, mais real que qualquer imagem.

Eu tenho esta impressão que o sonho é real, tão real que eu posso tocá-lo. E eu não estou onde estou, mas em outro lugar. Ontem eu acreditei que nunca saí daqui e apesar de ver as fotos, e eu nelas, de eu andando por aí, achei que elas eram falsas. A minha mente cria facilmente realidades, como esta que eu não estou escrevendo este texto, mas estou deitada acabando de acordar em um outro lugar do planeta. E quando escrevo este texto, tenho a impressão que é domingo e estou em outro lugar. Talvez porque quando lerem, eu estarei.

post de Dulce publicado "por encomenda" pela CoRa - em viagem

Teimado por: CoRa





Sábado, Novembro 13



Conto do frasco de perfume

Serena mantinha um vidro de perfume na cabeceira de sua cama, o qual cheirava todas as noites antes de dormir. O aroma era o mesmo de um homem do seu passado, seu falecido marido. Cumpria esse ritual por ser muito saudosista, vivia de lembranças. Achava que havia sido cruelmente abandonada pela família, não entendia o processo natural do crescimento dos filhos e do seu êxodo para fora de casa. Achava também que, se não mantivesse tal ritual passadista, perderia o contato com a realidade depois do suposto abandono de seus filhos, quão tamanha se tornara sua perturbação.
No entanto, nos últimos dias, pegara-se chorando ao pé da cama por alguém real e vivo, o jardineiro que trabalhava em sua casa. Ele cuidava de seu jardim desde que o último filho dela a deixou para formar vida própria. E, se não fosse a paixão secreta que Serena alimentava por ele, ela já teria se abandonado à solidão há tempos.
Certo dia, tomou coragem para contar a ele o seu encantamento e o chamou em seu quarto logo que ele terminou de aguar os cravos-de-defunto do seu jardim. Ele atendeu.
Era um homem moreno, fraco, mirradinho, com um terço da sua idade e sem nenhum atributo físico apaixonante. Serena disse, de uma vez, sem delongas, pois, se não o fizesse, não teria ousadia bastante para falar coisa alguma:
- Te amo!
O jovem ficou sem palavras, não imaginava ouvir algo parecido daquela senhora, sua patroa. Porém, ousado como era e consciente da rotina da mulher, respondeu-lhe, após o silêncio:
- E você lá sabe o que é amor? - rindo - Vive aí, cheirando o perfuminho vagabundo do falecido.
Ao ouvir a afronta, Serena se enfureceu e atirou contra ele o objeto mais próximo de suas mãos. Era o frasco de perfume. O quarto ficou infestado pelo forte aroma, assim que o vidro atingiu a testa do amado, espalhando estilhaços e um bocado de sangue pelo chão. Ela, então, deitou-se na cama, passou a chorar compulsivamente e lá ficou, até o dia de sua morte, inalando o perfume impregnado no quarto e olhando, fixamente, o cadáver do último homem que amara.

Teimado por: G.H.








FILOSOFANDO...

Tá me desculpem pelo atraso. Hoje é sábado e meu dia é sexta. Eu sei. Mas como acredito mesmo naquela teoria de que antes tarde do que nunca, cá estou... antes que o Guilherme - o dono do dia - chegue, vim aqui bem cedo antes de pegar a estrada para deixar aqui minhas pegadinhas de cabra teimosa que não abandona o seu lugar. Venho apenas para dividir com vocês um pensamento, para que não passe em branco o meu toque semanal com outros capricornianos e quem mais venha nos dar o prazer de sua companhia...
Queria apenas lembrá-los neste início de fim-de-semana prolongado que a vida é feita de momentos sim, mas vivê-la em sua totalidade é viver não como se hoje fosse o último dia e o resto que se exploda e nem como se fosse o primeiro dia de infindáveis outros que virão então o melhor é ficar esparando pra ver no que dá. Acredito, sinceramente, que viver a vida com qualidade é respeitar cada momento passado e vindouro como um presente de estarmos aqui neste planeta. Portanto o PRESENTE que vivemos é apenas parte de um todo que pouco conhecemos e que só o exercício do dia-a-dia, sem pressa excessiva e sem preguiça de desvendá-lo é que nos fará felizes... Tenham todos um bom descanso.

Teimado por: CoRa





Terça-feira, Novembro 9



A BALCONISTA RUIVA


Numa cidadezinha do interior de São Paulo, bem típica, com igreja e coreto, havia uma rua de pequenas lojas. Lá estava a padaria do "Seu" Zé, a farmácia do Juca e o açougue do Tião. Tinha também uma pequena livraria, do "Seu" Caruso. Logo pela manhã eu ia ao boteco, que ficava vizinho à farmácia, tomar um pingado e conversar com o Bento. Tudo muito tranqüilo.
Em uma dessas manhãs, algo diferente me chamou a atenção: o Juca estava lendo um livro. Nunca o vira lendo nada... Comentei com o Bento, que me disse:
- Você ainda não viu?
- Não viu o quê, Bento?
- A sobrinha do "Seu" Caruso tá trabalhando na livraria.
Tava explicado. Para puxar papo com a moça, o farmacêutico comprou um livro e, no dia seguinte, foi ter com ela sobre o mesmo.
O mais engraçado é que, depois que a moça, uma ruiva muito bonita por sinal, começou a trabalhar na livraria, até o "Seu" Zé começou a comprar livros. O Tião, bronco daquele jeito, começou a falar melhor de tanto ler. O Bento encurtava nossas conversas para terminar de ler "o último capítulo" do seu livro.
Foi assim que ví a cultura nascer naqueles rudes, mas tenros, "caipiras", por assim dizer. Guimarães Rosa, Fernando Sabino, Castro Alves, Machado de Assis...
E por causa de uma balconista ruiva, todos agora estão lendo: o Bento, o Juca, o "Seu" Zé, o Tião... e você.

Teimado por: Johnny Mau





Domingo, Novembro 7



quero ser igual?


"Seu jeito é muito estranho", como assim, estranho? "Ah, sei lá, é diferente". O que eu faço de tão diferente? "Como ontem quando saiu intepestivamente da sala, ou como olha quando falo contigo e está estudando". Ontem saí por causa do calor e quando estudo não quero conversar, o que é de estranho nisso.

Não sei o porquê, mas o que sempre ouvi é este tipo de comentário sobre meu estranho modo. Mau-educado por uns porque não cumprimento everybody, tímido e misterioso por outros. Será que tenho mesmo algo de errado? Afinal se muitas pessoas falam (se bem que ela fala com maior freqüência) é porque elas tem razão. Ou não?

Passado um tempo onde o comportamento é visto como excentricidade, todos taxam de estranha ou diferente. Metade do mundo diz que somos todos diferentes, mas a mesma metade faz de tudo para descobrir o que temos de igual. Ou seja, quem é igual pode fazer parte do mundo e ser imperceptível. A outra fica invisível porque ninguém a quer enxergar.

E eu, que parte do mundo escolho? Em que mundo quero viver. As pessoas até dizem que gostam da diferença, mas gostam mesmo do que é igual. Duvidas? Olha o mundo todo e me responda. Eu preciso de respostas.

Teimado por: Dulce





Sexta-feira, Novembro 5



TIRANDO A SORTE!

E eu que não sou me deixar levar por horóscopos (que pra mim pouco tem a ver com a seriedade da astrologia como ciência de apoio para a medicina, psicologia e outras ciências). Me peguei, agorinha, chegando da rua, abrindo o computador e entrando no horóscopo do UOL, como quem brinca de pegar a sorte do bico do periquito quando um dos quase extintos realejos passa... E lá dizia:

Capricorniano

Para que você escolha os melhores planos de futuro, e possa escolhê-los de acordo com suas aspirações, decida se vale a pena continuar carregando dívidas feitas com pessoas que querem brilhar demais. Pode ser que conclua que seu esforço não vale. E você terá escolhido bem. Reflita nos próximos dias.


hmmm... achei tão confuso e cheguei a conclusão nenhuma, que logo desconfiei...
- "Xíiii" esse astrólogo no mínimo é capricorniano! rs...

Tá, pode não ser nossa maior qualidade. Mas o capricorniano, de vez em quando, pode ser engraçadinho... :o)

Teimado por: CoRa





Quarta-feira, Novembro 3



TRECHINHO


Lí na resenha de um livro, "O Emblema da Amizade", de Jacques Bonnet. A história se passa em 1582 e o protagonista é ninguém menos que Giordano Bruno (1548-1600), que foi queimado vivo pela Inquisição. É um romance histórico e policial.

"Toda essa gente estúpida sabe perfeitamente onde se situa o bem e o mal, enquanto eu mesmo tenho tanta dificuldade de me orientar; na verdade, eles sonham apenas com o conforto e a preguiça de um sistema unívoco, enquanto eu adoro os grãos de areia"

Crenças religiosas que, em princípio, deveriam ajudar os homens a viver, conduzem, no entanto, à autodestruição. Autodestruição física, a mais evidente, que ocorre nas matanças convulsivas. Mas uma outra também, mais essencial: a anulação do poder reflexivo que, em princípio, deveria caracterizar o humano.
O livro de crimes, detetives, romance histórico, intriga, fascina e, mais ainda, põe em sintonia pavores do passado e do presente.

Teimado por: Johnny Mau