Capricórnio simbolicamente está associado à subida da vida lenta e infatigável em direção aos picos da realização espiritual. A subida ao topo da montanha. Ele é lento, paciente e prudente nesta subida. O mito da cabra, símbolo da vitalidade, do animal que dá o leite e que alimenta, é a natureza que tudo dá em abundância.
Por sua natureza animal, é persistente, suporta as florestas e não costuma desistir antes de atingir seus objetivos. A figura mitológica meio bode, meio peixe, simboliza o ambiente interior, marinho, sereno, que se fortalece e se exterioriza no ambiente das montanhas. É o encontro da profundidade com a altura, simbolizando a perseverante subida em direção à Luz.
(baseado em texto de Ângela Brainer)
E hoje,quando os olhos foram abertos, no primeiro momento do dia, aquele primeiro segundo, veio na memória: é hoje! Não que a notícia que eu estou esperando tenha sua resolução hoje, mas hoje eu saberei o que aconteceu. Nada que me fará mudar de lugar, mas a notícia, é o bastante, nervosa, para que eu ao menos não deixe de pensar: está acontecendo de verdade?
E o dia, de domingo, passará. Eu fingindo que estudo, eu fingindo que presto atenção, eu fingindo que leio um livro. Na verdade a cabeça estará longe pensando: será verdade mesmo? Será que isso mudará de algum modo minha vida? Ou continuarei nesta cidade, nesta casa, nesta vida sem que nada tenha mudado?
A notícia somente é acrescentada ao domingo, que todo mundo sabe é dia de esperar chatamente pela segunda-feira. Agora eu espero pela notícia. Que ela venha e que seja boa! Que ela venha, e não mude tanto a minha vida.
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Dulce
Sábado, Outubro 30
Da perfeição do mundo
Está certo que quando a gente está apaixonado, como eu estou, fica assim, bobo, bobo, achando a vida bela, o mundo perfeito, tudo maravilhoso. Mas eu não quero falar da paixão em si, mas da perfeição do mundo, que é real e não uma simples utopia dos apaixonados.
Uma das provas dessa verdade é a carta XXI do tarot, "O Mundo" - sim, eu leio tarô - que representa exatamente a perfeição, a sensação de que tudo dá certo no fim. Não deve ser à toa que os criadores dessa arte prá lá de milenar escolheram esse símbolo.
Fernando Sabino, já imortal, também concordava com isso. Tanto é que falou num de seus livros que "tudo dá certo no final. Se não deu ainda, é por que não se chegou no fim".
Ele, assim como eu e muitos por aí, acredita que tudo tem um porquê, um motivo, uma razão. Acreditam que nada é por acaso, que até os males vem pro bem. Quantas vezes só entendemos a razão de tudo depois de ter acabado e, enfim, percebemos que valeu a pena, que tudo valeu a pena, por que a alma do nosso mundo não é nem um pouco pequena (Santo Fernando Pessoa!).
Se eu não o convenci ainda da perfeição do mundo, parafraseio mais um, Balzac, que dizia: "Os homens são assim: podem resistir a argumentos sólidos, mas cedem ante um olhar". Então, apaixone-se, olhe nos olhos dela e descubra, finalmente, a perfeição universal.
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G.H.
Sexta-feira, Outubro 29
Por ser assim...
Uma das grandes lições que o capricorniano deveria primeiro assumir que precisa aprender, e depois tentar, é não estar em permanente batalha consigo próprio e com os outros para que as coisas, no mínimo, "beirem" a perfeição. Porque sendo a própria vida assim, tão imperfeita, essa batalha pode transformar-se numa guerra permanente e em vão, trazendo mais sofrimentos que conquistas, tanto para ele próprio quanto para quem o cerca.
A rigidez deve dar lugar à elasticidade e a visão crítica pode e deve ser amenizada para que o "possível" seja alcançado e dê prazer. Enxergar a perfeição não no detalhe, mas no possível bem executado, é uma dificuldade nata do capricorniano. Mas o que é nato, não é crônico, nem imutável. Tudo depende da gente. Tudo depende de querer mudar e dar o primeiro passo.
Experimente não se ater tanto ao que não está certo no cenário, mas parta do que ele tem de bom, para melhorá-lo mais ainda. Mude a perspectiva. Angule melhor o seu olhar. Tenho exercitado muito isso e tenho sido mais feliz. Tenho magoado menos aos outros e a mim mesma. Tenho aprendido a arredondar as pontas. A pousar os dedos antes para sentir a textura e só depois me aprofundar nas sensações. Tenho respirado mais lenta e profundamente. Tenho sorrido mais largo. Tenho dado mais descontos. E com tudo isso tenho lucrado mais qualidade de vida. Porque assim é a vida. Cheia de imperfeições que fazem dela uma novela deliciosa de se viver. Porque senão já estaríamos no fim. E os demais capítulos seriam um tédio só!
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CoRa
Quinta-feira, Outubro 28
Por alguns milhares de instantes
(Rúbia Padilha - 20041028)
Estou aqui e me deixo ser arrastada entre linhas e versos.
A vida passa e eu só a sigo.
Deixo de lado a raiz da flor em que me segurava pra ir.
Um vôo plano me leva pra onde tudo é diferente.
Em par. A dois.
E eu fico lá onde as cores são apaixonantes,
Os momentos mais intensos.
A vida quase um sonho.
Sinto o doce e melo as mãos.
Eu, ele.
Bebo da fonte com sabor sem sabor mais saborosa.
Desço, subo.
Pulo, jogo no ar.
Liberdade.
Colorido sem artificialidade.
Naturalidade.
Risadas de palhaço com a alegria de circo.
Pipocas no pensamento.
Vida.
Teimado por:
Rubia Padilha
Quarta-feira, Outubro 27
27 DE OUTUBRO DE 2003
Café, cigarros e um filme. Já se passou um ano.
Há um ano recebi meu segundo grande presente,
minha segunda chance e meu segundo recado.
Não sei se ainda me dei conta de tudo como um todo.
Parece um filme, com cigarros e café.
Aqui estamos, notas que formam um acorde, cores que viram arco-íris...
Braços que se erguem para um colo,
língua estranha, baba-louca e mordidas no pé.
Tudo é novo para os seus olhos novos,
tudo é novo para os meus olhos velhos...
Espero poder passar-lhe os reais valores do mundo:
a amizade, o amor, a alegria sempre...
E a vida como instante.
A aventura que é cada dia.
A descoberta que é cada coisa.
A criança em todos que nunca devemos calar,
apesar dos cigarros, dos filmes, do café.
Cairé,
Da vida só levamos os livros que lemos, os momentos que passamos,
as músicas que cantamos e as amizades que fazemos.
Feliz aniversário.
Do sempre (mesmo!) amigo,
Papai.
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Johnny Mau
Domingo, Outubro 24
o domingo é meu
por quanto tempo?
Pensou que eu desistiria, não foi? Então você ainda não encontrou o poder de teimosia e persistência capricorniana. Tudo bem, três de nossas cabrinhas tinham desistido, eu mesma já tinha pulado da quarta-feira para segunda sem que isso se traduzisse em posts freqüentes. Pois, o que vocês não sabiam - a menos que vocês tenham dito a curiosidade de ver meu mapa no link ao lado - é que meu ascendente é touro, ou seja, sou duas vezes teimosa e persistente. Por isso tento mais uma vez, desta vez aos domingos, continuar postando nesta esquina.
Alguns podem achar que, com esta combinação, eu seria bastante responsável (eu juro que sou). Contudo, minha lua em gêmeos deixa-me com freqüência em órbita. Então nada de surpresa se me encontrar falando sobre o nada ou pensando coisas que ficam somente no pensamento de tão complexas que são. Não acham que sou maluca se muitas vezes me apresento com muitos nomes, é que sou tão complexa - como toda mulher - que um nome não resume tudo que sou.
Não culpemos a lua, até porque se ela me torna um tanto quanto instável e às vezes sem muito bom-humor para falar, noutras dela sai estas linhas tortas. Trancada em mim mesma eu ando para que num dia eu desabroche. E agora, postando num domingo, eu não posso reclamar do muito trabalho que me consume durante a semana. E se viajar, prometo comunicar-me com antecedência.
Será essa mais uma destas promessas que faço e não levo a diante? Quem aguardar, saberá.
Teimado por:
Dulce
Sábado, Outubro 23
Hoje é um final de semana meio assim, sem graça, solitário, bom pra ler Hilda Hilst em voz alta em casa.
Do desejo (trechos) Hilda Hilst
I
Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.
IV
Se eu disser que vi um pássaro
Sobre o teu sexo, deverias crer?
E se não for verdade, em nada mudará o Universo.
Se eu disser que o desejo é Eternidade
Porque o instante arde interminável
Deverias crer? E se não for verdade
Tantos o disseram que talvez possa ser.
No desejo nos vêm sofomanias, adornos
Impudência, pejo. E agora digo que há um pássaro
Voando sobre o Tejo. Por que não posso
Pontilhar de inocência e poesia
Ossos, sangue, carne, o agora
E tudo isso em nós que se fará disforme?
V
Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.
Breu é quando tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me
De fidelidade e de conjura. O desejo
Este da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Sabes por quê? Lutei com Aquele.
E dele também não fui lacaia.
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G.H.
Sexta-feira, Outubro 22
Um dia assim...
Cotidianamente
sinto-me em extinção
Sei que estou indo embora
não minto nem pra mim
nem pra ninguém
sofro por mim e por todos
dôo-me silenciosamente
e pouco recebo em troca
o outro não percebe
segue pedindo o meu amor
que não sente
e por mais que seja ele
a razão do meu dia
ele espera que eu diga
e não digo
apenas faço poesia e sinto
eu não minto
mas não satisfaço
sou o permanente abraço
que só saberá que existe
quando eu me for
porque o meu amor é raro
e até aqui, incompreendido
por isso, um dia assim
sem aviso,
pode ser um amor perdido
extinto
largado nesse mundo vasto
a busca de um outro que entenda
que não é, nem nunca foi
nefasto
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CoRa
Quinta-feira, Outubro 21
Nesse momento em que não sei o que escrever por não saber do que quero falar, fui procurar algo na internet e, por incrível que pareça, achei um texto que fala por mim...
Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.
Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.
Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.
Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.
Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação
para não nos envergonharmos de ser inocentes.
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios.
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.
Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa.
Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.
Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.
Temos chamado de fraqueza a nossa candura.
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.
E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia...
Clarice Lispector
E até a semana que vem se eu conseguir contribuir pra esse nosso espaço com as minhas palavras...
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Rubia Padilha
Quarta-feira, Outubro 20
INTRUSO?
Aqui passo, sorrateiro
acompanhando de longe,
numa vaga de tempo.
Escrevo mais calmo, quase sem assunto:
apenas surgem palavras e frases
entre Fantas e pães com presunto.
Admiro quem aqui está
ao sentir o que escrevem.
Os lados, lá e cá...
como parecem.
Termino as rimas pobres
ajudando uma quarta-feira,
querendo voltar na próxima
ou seguir pela beira
(Desculpe a "intrusão"
e meu repente sem noção.)
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Johnny Mau
Terça-feira, Outubro 19
NÃO. NÓS NÃO NOS RENDEMOS!
NÃO. NÓS NÃO DESISTIMOS...
SIM !!! ESTAMOS À BEIRA DO CAMINHO
ESPERANDO NOSSOS NOVOS PARCEIROS!
Quer juntar-se a nós???
Teimado por:
CoRa
Domingo, Outubro 17
ausência
Uma página em branco pode falar mais que algumas palavras. A falta de um post diz mais que a sua existência. Este vazio que sinto talvez tenha mais sentido que toda a emoção que me preenche. Será que este silêncio todo que me cerca será quebrado? Quando ele acabará? Quem o derrubará? Será que enfim alguém descobrirá que existo? Pelo menos hoje, eu estou aqui.
Teimado por:
Dulce
Sábado, Outubro 16
Morte e Literatura
Morreu segunda-feira o escritor Fernando Sabino, aquele que escreveu o conhecido "Encontro Marcado" e o divertido "O Homem Nu". Faleceu aos 80 anos por causa de um câncer no esôfago. Isso condiz com um pensamento que ouvi dia desses, em frente a uma estante com uma série de revistas sobre literatura, cada uma com um escritor na capa: "A cada dois meses morre um. Essa estante devia ser chamada 'a contagem regressiva da nossa cultura'" . Pois é... Primeiro se foi Jorge Amado, depois, Hilda Hilst e agora, Fernando Sabino. Qual será o próximo a ter esse fim?
Fica difícil entender por que ainda existem pessoas que escrevem se este será o fim de todos eles, a morte. Não será apenas o fim deles, mas também da sua literatura, por mais rica, por mais bela, por mais imortal que pareça. E depois da morte de sua literatura, "morrerá [...] a língua em que foram escritos os versos", como diz Fernando Pessoa, outro que há tempos já morreu, na Tabacaria.
Esses escritores, sejam poetas ou prosadores, incutem nos novos o desejo de também escrever. Aí, se entra num círculo vicioso, o ciclo de vida dos poetas: nascer, crescer, escrever, "parir" novos escritores e morrer, e, depois da morte desses, morrerão os que eles criaram, quase sem querer, e, depois, morrerão o que estes novos criarão e assim por diante.
O porquê? Porque assim sempre foi, porque assim tem que ser, porque assim vai continuar sendo... Até morrer "o planeta girante em que tudo isto se deu" - Pessoa.
Teimado por:
G.H.
Sexta-feira, Outubro 15
Matei os meus versos...
uma série deles.
Estavam lá... expostos,
soltos no meio da rua
querendo comover
sei lá o quê nas pessoas...
E quem tem tempo hoje pra poesia?
Meio dedo de prosa?
Quem se interessa?
Quem realmente lê o meu eu ali contido
Quem vem comigo
mergulhando na pura viagem
da emoção primeira
Sem dar interpretação própria
aos meus desvarios...
Matei os meu versos,
outro dia
quando percebi
que quem lia
buscava nas entrelinhas
segredos
que são só meus
que liam com olhos
ateus
sem saber
que as palavras
em versos
são gestos
indefesos
são meus dedos
falando de paz.
Teimado por:
CoRa
Sábado, Outubro 9
Ele gostava de filosofia - história de uma mulher apaixonada
Ele gostava de filosofia, amava, era absolutamente ¿vidrado¿ nesse assunto. Eu soube disso depois de ter-me interessado por ele em um sarau, onde declamou um poema de Cora Coralina. Ah!, poesia também era uma de suas paixões. Meu filosofo até chegou a dizer que escrevia alguns poemas. São lindos os homens que escrevem poesia, não?
Depois de tê-lo visto no sarau, passei a segui-lo. Sei que isso não é algo politicamente correto, mas eu o fiz. Foi, então, que descobri que meu pretendido freqüentava a biblioteca todos os dias úteis, de segunda a sexta, sempre no mesmo horário, ao meio-dia. Apaixonei-me por sua pontualidade e passei a tentar imitá-lo: todos os dias, cinco para meio-dia, lá estava eu o esperando.
Meio-dia em ponto ele chegava. Lia os jornais, passava os olhos por alguns poemas, para depois, enfim, seguir em direção à estante de filosofia, onde, meticuloso, ia passando o dedo pelos títulos até encontrar um que fizesse brilhar seus lindos olhos. Pegava esse livro e ia ao balcão, onde pedia à antipática atendente (como eu invejo aquela mulher que todos os dias o olhava nos olhos e ouvia o ¿Boa tarde!¿ de seus lábios grossos) que carimbasse a sua tão cheia carteira de leitor. Depois ia embora, me deixando sozinha.
A rotina era essa. Mas houve um dia em que ele não cumpriu esse ritual. Nesse dia, eu cheguei no mesmo horário e me sentei na cadeira de sempre, em frente à dele. Coloquei meus óculos de grau para fingir que lia enquanto o admirava por trás de sua intelectualidade. Pensava no que haveria por dentro daquela fachada de mistério e metodismo do meu filósofo. ¿Como seria sua vida?¿, eu me perguntava. ¿Com quem ele conversava esses assuntos?¿, afinal, os jovens de hoje são tão vazios, ao contrário dele, do meu filósofo, tão jovem, bonito e inteligente. Imaginava olhar por dentro dele até descobrir o que ele gostava em uma mulher. Com certeza, gostaria de mim (e não da atendente que invejo); afinal sou uma mulher bonita, de meia idade, bem mais velha que ele, é certo, mas bonita e, por essa beleza, o final dele deveria ser comigo ¿ ao menos na minha opinião. Aliás, eu pensava, ¿Qual costuma ser o destino dos filósofos?¿.
Alheia nesses pensamentos, não percebi que o tempo já tinha passado. Era meio-dia e meia, e nada do meu pretendido aparecer. De nervosa, já estava tamborilando os dedos (é o que faço quando fico nesse estado). Barulho demais para uma biblioteca e, por isso, eu já ouvia ¿psius¿ pelo ar. Era melhor eu ir embora...
Da porta da biblioteca, notei um certo burburinho dali a dois ou três quarteirões. Cheia de curiosidade e a fim de esquecer o ¿bolo¿ que acabara de levar, fui até lá. No caminho, xingava o meu pretendido em pensamento. ¿Quem ele pensa que é para me dar um fora assim?¿ (sem lembrar que o coitado mal sabia da minha existência). Eu tinha de esquecer o ¿fora¿ e me distrair.
Cheguei lá. Era um prédio muito alto com uma multidão de curiosos, como eu, em volta de uma daquelas faixas amarelas de ¿Mantenha a distância!¿. Havia também bombeiros e um carro de ambulância por perto. Fui me infiltrando, morta de curiosidade, até onde eu podia ver os enfermeiros da ambulância. Não podia ver o que faziam, mas senti uma pontada no peito.
Alguns senhores que estavam ao meu lado naquela multidão, animados por espalhar tragédia, falavam em morte e suicídio, apontando para o cadáver de um homem em volta do qual estavam aqueles enfermeiros. Esse homem, segundo os velhinhos que me contavam a tragédia, parecia gostar de filosofia ¿ ele teria gritado o nome de alguns filósofos famosos antes de se jogar do alto do prédio. Homem, corpo, filosofia; foi então que eu chorei.
Teimado por:
G.H.
Sexta-feira, Outubro 8
PRIMA VERA
A prima Vera me contou
que o primo Verão ainda dorme
Tio inverno nos castigou mas
a prima traz flores para nos consolar
Ô vô outono cansou de nos visitar
em todas as estações e enfim
promete tirar férias.
A prima Vera ontem me escreveu
um email garantindo que está bem
e que só ainda não se revelou por inteiro
porque não é assim tão "dada" como
quem nasce em janeiro, rs...
Já arrumei o quarto de hóspedes,
podei os caules, ajeitei o sorriso!
Prima Vera há de chegar inteira
a qualquer hora e sem aviso! :o)
Teimado por:
CoRa
Quinta-feira, Outubro 7
A capacidade de ser algo que (muitas vezes) não sabemos que somos...
Andando em uma comunidade do orkut de capricornianos, me deparei com essas orações...
Copiei e colei algumas, claro, que eu acho que tem mais relação com o que penso...
É incrível como somos (ou enganamos ser) independentes...
"Pai do céu, perdoe aqueles que passam o dia dizendo, com ironia: "só ele é quem sabe..." Eles não sabem o que falam..."
"Ó Pai, perdoe-me por eu ser perfeito, por ser o único capaz de resolver os problemas do meu dia a dia, e principalmente por perdoar àqueles que tentaram ajudar-me de alguma forma e só atrapalharam-me, porém como bom filho, peço ao Sr., que ajudem eles a serem tão perfeitos como eu..."
"Deus: Sei que o projeto divino é perfeito, mas estive olhando as coisas por aqui e não pude deixar de imaginar algumas modificações para... hmm... aperfeiçoá-lo ainda mais. Estou preparando um relatório para ser lido na oração de amanhã, sem falta."
"Querido Pai, eu estava indo rezar, mas acho que devo descobrir as coisas por mim mesmo. Bom, quero dizer obrigado de qualquer forma."
"Meu Deus...ajudai todos os meus irmãos a não se porem a discutir ou argumentar comigo. Dai-lhes a clarividência para não se perderem por caminhos inúteis e escusados, que em nada vão contribuir para a sua felicidade.
Dai forças a mim para suportar a desarrumação, ignorância, estupidez ou burrice dos outros e salvai-me de algum dia eu deixar um papel fora do lugar.
Meu Deus , agradeço-te teres-me feito assim infinitamente perfeito, á tua imagem e sememelhança. Ajudai todos os outros que o não são... Amém."
Quem concorda com tudo põe o dedo aqui que já vai fechar o abacaxi! :-D (e, como as professoras da 5ª série faziam: justifique sua resposta)
Teimado por:
Rubia Padilha
Sábado, Outubro 2
A VOLTA
Sim, hoje é sábado!
Me desculpe, Guilherme, por invadir o seu dia... (devia ter escrito ontem, mas não consegui)
Daqui a pouquinho quando você postar, seu recado vem acima do meu, no dia certo... É só que estava com muitas saudades de todos aqui. E como nos últimos dias não pude escrever porque estive viajando a trabalho, queria registrar minha volta e a alegria de voltar a postar.
Qualquer pessoa pode sentir isso, principalmente se for do elemento Terra, mas ao capricorniano, a "volta ao lar" é sempre especial. Nosso chão, nosso cantinho, nossos guardados, nossos amigos, nossos filhotes... Ah... Como é bom estar em casa outra vez!!! Literalmente na minha casinha e aqui também, virtualmente, em prosa, verso e alegria!