Capricórnio simbolicamente está associado à subida da vida lenta e infatigável em direção aos picos da realização espiritual. A subida ao topo da montanha. Ele é lento, paciente e prudente nesta subida. O mito da cabra, símbolo da vitalidade, do animal que dá o leite e que alimenta, é a natureza que tudo dá em abundância.
Por sua natureza animal, é persistente, suporta as florestas e não costuma desistir antes de atingir seus objetivos. A figura mitológica meio bode, meio peixe, simboliza o ambiente interior, marinho, sereno, que se fortalece e se exterioriza no ambiente das montanhas. É o encontro da profundidade com a altura, simbolizando a perseverante subida em direção à Luz.
(baseado em texto de Ângela Brainer)
Em vezes de saudade de tudo que tem somente lá, de vontade de andar admirando tudo que existe no centro daquela cidade, de vontade de me sentir em casa, canto essa música...
O coração, já apertadinho, fica mais alegre, por que é assim que é Porto Alegre, um lugar de se sentir bem...
Porto Alegre É Demais
(Isabela Fogaça)
Porto Alegre é que tem
Um jeito legal
É lá que as gurias
Etc. e tal
Nas manhãs de domingo
Esperando o Grenal
Passear pelo Bric
Num alto astral
Porto Alegre me faz
Tão sentimental
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz
Quem dera eu pudesse
Ligar o rádio e ouvir
Uma nova canção
Do Kleiton e Kledir
Andar pelos bares
Nas noites de abril
Roubar de repente
Um beijo vadio
Porto Alegre me faz
Tão sentimental
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz
Porto Alegre É Demais...
Pra quem quiser ver umas fotos lindas que achei clique aqui e aqui.
E até a próxima semana! :-)
Teimado por:
Rubia Padilha
Quarta-feira, Setembro 29
anotações num guardanapo
Cansada, olhando a massa que passa sem pensar. Eu também não penso em nada enquanto espero a mastigar um lanche sem sabor. Rostos cansados, vejo; rostos que não olham pra lugar algum. Meu rosto também deve ter o mesmo cansaço, o mesmo desânimo, o mesmo olhar cruzando o infinito. Estremeço. Onde foi que perdi a vontade? Onde foi que perdi o meu olhar?
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Dulce
Segunda-feira, Setembro 27
capricorniana mártir
Joana d'Arc contribuiu de forma decisiva para mudar o rumo da guerra dos cem anos, entre a França e a Inglaterra, movida por uma fé inquebrantável.
Nasceu em Domrémy, na região francesa do Barrois, em 6 de janeiro de 1412. Filha de camponeses, desde pequena distinguiu-se por sua índole piedosa e devota. Aos 13 anos, declarou que podia ouvir a voz de Deus, que a exortava a ser boa e a cumprir os deveres cristãos. A mesma voz ordenou-lhe depois que libertasse a cidade de Orléans do jugo inglês. Afirmou ainda ter visto o arcanjo são Miguel, além de santa Catarina e santa Margarida, cujas vozes ouvia.
Quando as lutas entre franceses e ingleses se aproximaram do Barrois, Joana d'Arc não retardou por mais tempo o cumprimento das ordens sobrenaturais. Partiu de sua aldeia e obteve de Robert de Baudricourt, capitão da guarnição de Vaucouleurs, uma escolta para guiá-la até Chinon, onde se achava o rei da França, Carlos VII, então escarnecido como "rei de Bourges" em alusão às reduzidas proporções de seus domínios.
O país estava quase todo em mãos dos ingleses. Os borgonheses, seus aliados, com a cumplicidade de Isabel da Baviera, entregaram a nação ao domínio britânico, pelo Tratado de Troyes. Inspirada por extraordinário patriotismo, Joana comunicou ao rei a insólita missão que recebera de Deus. Nesse encontro, em março de 1428, assombrou a todos pela segurança com que se dirigiu ao rei, que lhe entregou o comando de um pequeno exército para socorrer Orléans, então sitiada pelos ingleses. No caminho, a atitude heróica da humilde camponesa atraiu adesões para as tropas que comandava.
Chegando a Orléans, Joana intimou o inimigo a render-se. O entusiasmo dos combatentes franceses, fortalecido pela estranha figura da aldeã-soldado, fez com que os ingleses levantassem o sítio da cidade. O feito glorioso de Joana d'Arc, pelo qual foi cognominada a Virgem de Orléans, aumentou seu prestígio, mesmo entre os soldados inimigos, e alimentou a crença em seu poder sobrenatural. A coragem da heroína realizou efetivamente o milagre de erguer o espírito abatido da França. Um sopro cívico perpassou pela nação. Joana d'Arc, porém, ambicionava nova missão: levar o rei Carlos VII para ser sagrado na catedral de Reims, como era tradição na realeza francesa, o que ocorreu em 17 de julho de 1429. Na tentativa que se seguiu da retomada de Paris, a heroína foi ferida, o que contribuiu para aumentar o patriotismo de seus conterrâneos.
No ataque que empreendeu a Compiègne, em maio de 1430, Joana foi aprisionada pelos borgonheses. Em lugar de executá-la sumariamente, como poderiam ter feito, preferiram planejar uma forma de privá-la da auréola de santa por meio da condenação por um tribunal espiritual. No jogo de interesses políticos que envolveu sua figura de heroína, Joana d'Arc não encontrou apoio por parte do rei.
Em junho, o bispo Pierre Cauchon surgiu no acampamento de João de Luxemburgo, onde se encontrava a prisioneira, e conseguiu que ela fosse vendida aos ingleses. Ambicioso, desejando obter o bispado de Rouen, então vago, Cauchon faria tudo para agradar aos donos do poder. Sem direito a defensor, confinada numa prisão laica e guardada por carcereiros ingleses, Joana d'Arc foi submetida por Cauchon a um processo por heresia, mas enfrentou os juízes com grande serenidade, como revela o texto do processo.
Para transformar a pena de morte em prisão perpétua, assinou uma abjuração em que prometia, entre outras coisas, não mais vestir roupas masculinas, como forma de demonstrar sua subordinação à igreja. Dias depois, por vontade própria ou por imposição dos carcereiros ingleses, voltou a envergar roupas masculinas. Condenada à fogueira por heresia, foi supliciada publicamente na praça do Mercado Vermelho, em Rouen, em 30 de maio de 1431. Seu sacrifício despertou novas energias no povo francês, que finalmente expulsou os ingleses de Calais. Joana d'Arc foi canonizada em 1920 pelo papa Bento XV.
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Dulce
Sábado, Setembro 25
O fim da mediocridade
Tinha quebrado cinco espelhos, só no mês corrente. Tudo isso, porque odiava o seu reflexo. Achava-se feia, ou pior, medíocre: nem feia, nem bonita. Apesar dos olhos azuis, dos cabelos loiros, da pele clara e suave e da descendência russa, pensava ser a mais medíocre das mortais. Sabia, no entanto, que seu marido a admirava, mas não o levava em consideração.
Quando ia ao shopping com as amigas, um bando de peruas loucas como ela, se sentia deslocada. Ainda que mantivesse um sorriso superficial no rosto coberto de maquiagem, acreditava que aquele não era o seu lugar, nem aquelas as suas companhias perfeitas. Álias, pensava em viver, algum dia, longe de tudo e de todos, principalmente de seus dois filhos pequenos, Maria e José, que eram tratados quase da mesma forma que Princesa Diane e Príncipe Charles, a gata e o cão.
Um dia, de repente, quis acabar com a mediocridade da sua vida, tão cheia de falsidades e frivolidades. Acordou cedo, com um sorriso no rosto, ao lado de seu marido, um homem rico, bonito e inteligente. Ele ainda dormia quando ela se levantou e foi à cozinha. Lá, pediu à empregada, uma mulherzinha miúda e sem graça com 40 ou 50 anos, que separasse uma faca, afinal, Joana (esse era o nome da madame) não sabia sequer onde se guardavam as coisas naquele cômodo. Depois do pedido, a patroa ainda disse à empregada que tirasse o dia de folga, estava dispensada.
Senhora Joana, logo depois da saída da serviçal, pegou a faca, foi até o quarto e, com muito carinho, passou-a pelo do pescoço do marido. Ele não gritou, e nem poderia, pois ela tomou o cuidado de mantê-lo dormindo enquanto o matava. Matou também os dois filhos, do mesmo modo como matara o marido, pelo pescoço, e, depois, assassinou, com verdadeira compaixão, o seu cão e a sua gata. Um pouco mais tarde, guardou a faca em um saco plástico, cuidadosamente para que esta não perdesse o sangue de seus entes queridos. E saiu sem destino, com uma única mala, a dos seus cosméticos.
Dizem alguns que ela virou puta ou cafetina, destino facilmente contestável, pois seria um clichê grande demais para quem quer viver longe da mediocridade, afinal, metade das assassinas vira prostituta. Outros têm uma versão mais realista do seu futuro, Madame Joana teria virado freira, sem jamais ter se arrependido das mortes, desta forma, fugiria do lugar-comum, da insignificância, da vulgaridade e da mediania.
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G.H.
Quinta-feira, Setembro 23
"... Diz qual é o nome do dono da Terra que inventou o céu e o mar
Pega o telefone, liga pra esse homem e diz que é pra Ele reinventar"
Quando eu era mais nova e meu pai tocava muito mais violão ele sabia que, ao pegar o bichinho teria que passar pela fase onde eu, desesperadamente, pedia pra ele tocar essa música (by Abelhudos) quinhentas e vinte e quinze vezes seguidas...
E, incrivel ou não, até hoje canto...
E não, não gosto mais de Abelhudos...
Gosto, simplesmente, da idéia de ingenuidade que ela passa...
Do sentido que ela faz quando estamos com os corações puros...
Da capacidade que ela me passa de que podemos mudar o mundo e que isso está nas nossas mãos...
Nada de política...
Mas de coração...
De amor...
De pedido de paz...
Assisti, há algum tempo, um filme que chama "A Corrente do Bem"...
Lembro que terminei o filme choramingando (?) e querendo sair na rua e fazer alguma coisa... Claro que, depois de tudo o que passamos no dia-a-dia (*alerta piscando - possível desculpa no ar*) acabamos deixando essa vontade de fazer diferente morrer aos pouquinhos, como uma flor que não bebe água há dias...
Será que é Deus que precisa reinventar ou nós que temos que usar as armas que Ele nos deu?
Tudo sempre pode ser mais complicado do que parece... Mas pode, também, ser mais fácil do que nos é mostrado...
Lição de casa:
Pensar nisso...
Até a semana que vem, povo...
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Complementando...
Por que já conhecemos (eu e ele) quem precisou, usou e foi muito bem atendida...
Por que é, possivelmente um passo a mais que possamos dar...
Por que, essa pode ser a diferença...
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Rubia Padilha
Quarta-feira, Setembro 22
a espera dum encontro
Ela disse que estaria ali esperando. Nada. Em frente ao cinema tinha algumas pessoas, mas até aquele momento ela não tinha chegado. Suspiro. Resolvo entrar no café e me refugiar em observar as pessoas normais voltando pra casa. Onde ela está? Apreensiva peço um sorvete que combina com a noite quente, mas não com meu regime começado na segunda-feira. Onde ela está?
Aos poucos volto os olhos para as pessoas ao redor. Pessoas cultas, ela disse. Vieram para assistir o filme que ela escolhera, filme-cabeça. Eu não sou cabeça, o que sempre me inclui com os outros, os não-cabeça. Acontece que eu também não posso me incluir no outro grupo. Então fico com a mediocridade do meio. Viajo pelos dois mundos.
Nunca gostei destas definições. Contudo definições são sempre necessárias, dizia um outro amigo meu. O que as pessoas vão pensar de mim. Capitalistazinha, diz o olhar daquele rapaz com calça jeans, camiseta com dizeres revolucionários contra o Halloween e tênis All Star. E ele olha como s'eu e meu escarpim não pudessem estar ali. O que ele tem de errado com meu escarpim?
O que ela vai achar? Lembro dum comentário feito por ela outro dia sobre uma boate. "Aquelas meninas de sapatos altos", como se meninas de sapato alto não pudessem freqüentar o mesmo ambiente que ela. Tento recordar se ela era tão radical quando nos afastamos. Não me lembro. Fico sentindo que ela não gostará do meu escapim.
Pessoas chegam. Pessoas vestidas de modo estranho, cabelo a la Che Guevara, cores desbotadas. Começo a pensar o motivo delas serem assim e porque escolhi ser diferente. Pela primeira vez sinto-me estranhamente desconfortável em um lugar. Não que me importasse com as pessoas, mas me importava com ela. Onde ela está?
Quem sabe não me reconheceu. Ou me viu e não veio falar comigo. Será que para ela isso é importante? Levanto-me e deixo o dinheiro ao garçom. Vou em direção a entrada principal. Quem sabe eu não a encontro...
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Dulce
Sábado, Setembro 18
As imagens falam por si só...
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G.H.
Quinta-feira, Setembro 16
Uma paixão...
E ele era pequeno... Tinha poucos centímetros... Olhinhos preguiçosos e mãos que desejavam tudo em sua volta...
Ele era miúdo... Poucos cabelos e muito amor... Seis mãos em volta dele na hora que ele tomava banho de tão "mirradinho" que era esse "Ratinho"...
Há cinco dias ele completou sete anos...
Sete anos passaram-se desde a primeira vez que ele sorriu e sorriu pra mim...
Alguns outros desde a época que eu chegava do colégio, morta de dor de cabeça, pegava ele, deitava no sofá e colocava ele aconchegado no meu corpo e assim dormíamos juntos... Ele cabia entre meus braços e minha respiração era o ninar...
Mais alguns da época que por ele me vesti de Papai Noel e fiz voz grossa, mas que, por culpa do meu chinelo de dedos, ele me reconheceu... Como pude esquecer que ele tinha paixão por ficar brincando com meus pés e, obviamente, me reconheceria?
O Léo foi pra mim um filho que morava no andar de cima... A criança que eu ensinei a brincar na chuva, que eu raspava maçãzinha pra ele comer na rua, que com uma caixa ficava feliz da vida e que me chamava de "Uta", mas quando achou que devia gritou "Rúbia" como que pedisse minha atenção naquela hora...
Sete anos...
Hoje, com toda a distância que estamos vivendo, sei que quando eu chegar lá ele vai ficar tímido (por que esse é o jeitinho dele muitas vezes interpretado como criança metida)...
Daqui alguns anos quando eu for pra Porto Alegre e ele estiver ainda mais velho, talvez ele até tenha vergonha de falar comigo (pessoas mais velhas ficam assim, sei lá por que)...
E minha cabecinha que não pára de funcionar nunca, fica pensando que eu perdi um tempo com ele e que não volta mais... Que eu, na verdade, queria era ficar aquelas tias velhas que ficam falando "nossa, como ele está grandinho"...
Eu amo esse menino... E ficar repetindo palavras e sentimentos é algo que tenho evitado fazer...
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Até semana que vem e, desculpem pela falta na semana passada... Estudando pra caramba aqui...
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Rubia Padilha
Quarta-feira, Setembro 15
a roqueira capricorniana
Hoje o nosso bloguinho vai apresentar mais uma cabritinha famosa. A roqueira mais famosa do Brasil, Rita Lee. Falar da carreira dela, acho que não preciso. Então eu vou apresentar o que ela faz de melhor, música.
Doce vampiro
Venha me beijar, meu doce vampiro
Oh, oh, na luz do luar
Ah, ah, venha sugar o calor de dentro do meu sangue vermelho
Tão vivo, tão eterno veneno
Que mata a sua sede e me bebe quente como um licor
Brindando a morte e fazendo amor
Meu doce vampiro, oh, oh, na luz do luar
Ah, ah, me acostumei com você sempre reclamando da vida
Me ferindo, me curando a ferida
Mas nada disso importa, vou abrir a porta prá você entrar
Beijar minha boca até me matar.
Sobrinhos pequenos,
amados grandemente.
Amores gigantescos,
abrigam um peito
Enorme.
Um grande coração
habita um
eu pequeno.
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Dulce
Domingo, Setembro 12
Mando um oi envergonhado a amigos e leitores do nosso blog.
Hoje não é meu dia mas tive uma chance única de conectar
aqui do trabalho e queria "capricornear" um pouquinho...
Passeando por aqui, comentando e pedindo desculpas por
não ter passado no meu dia (sexta). Tá difícil, mesmo!
Então me perdoem e saibam que ainda esperamos aqui a
volta da Suely aos domingos.
E até lá a gente invade
só prá dar um olá amigo.
Domingo e a gente ainda rindo
mesmo trabalhando
mesmo muito pouco dormindo
mesmo estranhando a paisagem
brincando e sorrindo...
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CoRa
Sábado, Setembro 11
Ela me chamou de poeta
Ela me chamou de poeta. Eu sorri, constrangido. Imagina: eu, poeta? De forma alguma. Os poetas são aqueles que escrevem livros, obras maravilhosas, que saem nos jornais e nos livros de literatura. Eles não são meros adolescentes que se metem a escrever, como eu. Os poetas são Vinícius, Drummond, Pessoa, Allan Poe, Maiakóvski, não eu. Mas ela, logo ela, que me convence de tudo com aquele olhar, me chamou de poeta. Vai acabar me convencendo.
Se, como ela diz, eu realmente sou um poeta, então tenho de tomar algumas providências. Para começar tenho de escrever um livro. Não é isso que os poetas fazem? Mas, antes disso, tenho de plantar uma árvore, e também ter um filho. Nesta última ela pode me ajudar.
Outra coisa é mudar meu cartão de visitas. Urgentemente. "Guilherme H. Miranda - Poeta". Não mais estudante, nem auxiliar administrativo. Poeta. E simplesmente: Poeta. Como é bonita essa palavra, não? Tão cheia de beleza. Ela, em si, já é pura poesia.
- Poeta, poetinha? Onde estão seus pensamentos? - ela disse. Eu sorri de novo, de cabeça baixa. Imagina: eu, poeta?
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G.H.
Quarta-feira, Setembro 8
A Força da Idade
A nossa capricorniana ilustre de hoje é a escritora francesa e feminista, Simone De Beauvoir que nasceu a 9 de janeiro de 1908, e faleceu a 14 de abril de 1986, em Paris. Participante do grupo de escritores filósofos que deram uma transcrição literária dos temas do Existencialismo, ela é conhecida primeiramente por seu tratado Le Deuxième Sexe (1949 - O Segundo Sexo), um apelo intelectual e apaixonado pela abolição do que ela chamou o mito do "eterno feminino". Esta notável obra tornou-se um clássico da literatura feminista.
Suas novelas abordavam os principais temas Existenciais, demonstrando sua concepção do compromisso do escritor com sua época. L'Invitée (1943 - "A convidada") descreve a destruição do relacionamento de um casal sutilmente provocada pela permanência prolongada de uma jovem em sua casa, e também trata do difícil problema de relacionamento de uma consciência para com outra, cada consciência individual sendo fundamentalmente predadora da outra. De suas obra mais a mais conhecida talvez seja é Les Mandarins (1954; Os mandarins), uma crônica da tentativa dos intelectuais do pós-guerra de deixar seu estatus de elite educada, "mandarins", para se engajarem no ativismo político, uma lição que os intelectuais de esquerda seus admiradores aprenderam com rapidez em todo o mundo.
Ela também escreveu quatro livros de filosofia, Pour une Morale de l'ambiguité (1947 - "A ética da ambigüidade"); livros de viagens sobre a China La Longue Marche: essai sur la Chine (1957 - A Longa Marcha: ensaio sobre a China) e L'Amérique au jour de jour (1948 - "A América dia a dia), e vários outros ensaios, dos quais o mais conhecido é o referido "O Segundo Sexo".
Vários volumes de sua obra são devotados a autobiografia. Esses incluem Mémoires d'une jeune fille rangée (1958 - Memórias de uma filha diligente), La Force de l'âge (1960 - O vigor da idade), La Force des choses (1963 - A força das coisas), e Tout compte fait (1972 - Tudo dito e feito). Esses trabalhos mostram um retrato claro e significativo da vida intelectual francesa dos anos 30 aos anos 70.
Preocupada também com o problema da velhice, que ela aborda em Une Mort très douce (1964 - "Uma morte suave"), sobre a morte de sua mãe num hospital, e La Vieillesse (1970; Old Age), uma amarga reflexão sobre a indiferença da sociedade pelos velhos. Em 1981 ela escreveu La Cérémonie des adieux ("Cerimônia do adeus"), um doloroso relato dos últimos anos de Sartre. Considerada uma mulher corajosa e íntegra, Simone de Beauvoir viveu de acordo com sua própria tese de que as opções básicas de um indivíduo devem ser feitas sobre a premissa e uma vocação igual para o homem e a mulher fundadas na estrutura comum de seus seres, independentemente de sua sexualidade.
"Para que minha vida me bastasse, precisava dar seu lugar à literatura. Em minha adolescência e minha primeira juventude, minha vocação fora sincera mas vazia; limitava-me a declarar: "Quero ser uma escritora". Tratava-se agora de encontrar o que desejava escrever e ver em que medida o poderia fazer: tratava-se de escrever. Isso me tomou tempo. Eu jurara a mim mesma, outrora, terminar com vinte e dois anos a grande obra em que diria tudo; e tinha já trinta anos quando iniciei o meu primeiro romance publicado, A convidada. Na minha família e entre minhas amigas de infância, murmurava-se que eu não daria nada. Meu pai agastava-se: "Se tem alguma coisa dentro de si, que o ponha para fora". Eu não me impacientava. Tirar do nada e de si mesma um primeiro livro que, custe o que custar, fique em pé, era empresa, bem o sabia, exigente de numerosíssimas experiências, erros, trabalho e tempo, a não ser em virtude de um conjunto excepcional de circunstâncias favoráveis. Escrever é um ofício, dizia-me, que se aprende escrevendo. Assim mesmo dez anos é muito e durante esse período rabisquei muito papel. Não creio que minha inexperiência baste para explicar um malogro tão perseverante. Não era muito mais esperta quando iniciei A convidada. Cumpre admitir que encontrei então "um assunto" quando antes nada tinha a dizer? Mas há sempre o mundo em derredor; que significa esse nada? Em que circunstâncias, por que, como as coisas se revelam como devendo ser ditas?
A literatura aparece quando alguma coisa na vida se desregra; para escrever - bem o mostrou Blanchot no paradoxo de Aytré - a primeira condição está em que a realidade deixe de ser natural; somente então a gente é capaz de vê-la e de mostrá-la".
Trecho de A Força da Idade (La Force de l'Age - 1960), livro de memórias de Simone de Beauvoir, no qual relembra o início de sua aventura literária, nos anos 30 e 40, ao lado de Sartre a quem o livro é dedicado.
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Dulce
Segunda-feira, Setembro 6
uma segunda-feira diferente
Uma segunda-feira comprimida entre um domingo e um feriado. Isso seria razão suficiente para tornar esta segunda um dia diferente. Seria passado entre o sol e a praia, no bom imaginar. No mal, num shopping pegando um cineminha. Quis, contudo, que esta segunda fosse estranha por outros motivos.
Estou trabalhando como se fosse um dia normal. Porém não é normal trabalhar entre um domingo e um feriado. Deste modo a segunda caminha preguiçosa. A condução caminha como um dia atípico, sem tanto movimento. E olhando o movimento vemos pessoas que normalmente não a utilizam neste horário com chinelos de dedos e barracas de praia.
Trabalhar em véspera de feriado é ver olhos cansados, pedidos de descanso e reclamações, "por que eu também não posso usar um chinelo e uma barraca de praia?" Porém sou capricorniana, uma espécie que gosta de trabalhar. E mesmo sendo segunda-feira, entre um domingo e um feriado, encontra um motivo para sorrir. Nem que seja o movimento mais lento num início de semana atípico.
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Dulce
Sábado, Setembro 4
Poema ao despertar
Desperta, minha bem-amada,
Do teu sono cor-de-rosa,
Menina púrpura de cetim.
Vem sorrir prá mim,
Olhar nos meus olhos, vem,
E me diz que a vida é bela,
Que nós podemos sonhar.
Desperta, minha bem-amada,
Sem medo de viver.
Esquece dos teus pesadelos, medos infantis,
E vem amar o teu príncipe, vem.
Vem, menina de lábios finos,
De olhos fechados
Cheios de preguiça, doce pecado.
Vem, amor meu,
Desperta do teu sono e vem sorrir, vem...
04/09/2004, às 00:33
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G.H.
Sexta-feira, Setembro 3
A arte de se cobrar menos...
Esta é uma arte muito difícil aos capricornianos. Somos auto-críticos e também severos críticos dos outros. Às vezes esperamos que a perfeição venha depois de muitas tentativas, broncas, cobranças... E demoramos muito a compreender que a perfeição não existe. E quão mais perfeccionistas formos esperando que os outros também o sejam... mais sofremos. Bobagem. Precisamos apreender com os outros signos, mas principalmente com os aquarianos, a relaxar e curtir algumas adoráveis imperfeições! ;)
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CoRa
Quinta-feira, Setembro 2
A arte de falar a verdade.
Dia desses percebi que falar a verdade é uma arte. Não a verdade que querem ouvir ou a verdade amena, mas a verdade verdadeira verídica e mais qualquer outra palavra que diga que é a verdade que muitas pessoas não gostam de ouvir.
Tenho esse costume.
Alguns dizem que não sou fácil, por esse motivo, mas eu digo que sou sim.
Não sei estar olhando pra algo, alguém e pensar em uma coisa a ser dita e não dizer.
Digo. Simples assim.
Talvez por isso, hoje, vejo que teria sido uma péssima psicóloga caso tivesse seguido meu teste vocacional que fiz no terceiro ano e com 18 anos já. Sou uma ótima amiga e não psicóloga.
A diferença?
É que os psicólogos falam as coisas pausadamente, sem a intenção de te dar "um tapa na cara" pra ver se tu acorda. Eles te levam a pensar e falar em algo.
Eu, Rúbia, Rú, Bia, Euzinha, Bi (única e exclusivamente dele) já sou tagarela e falo o que tenho que falar e pra fazer a pessoa sentir a verdade na carne.
Já tentei, por inúmeras vezes, ser diferente, mas sempre acabo me sentindo agoniada e falando algo do tipo: "posso falar a verdade?" e é incrível como as pessoas que me conhecem já falam: "deve" e deu, abro o bocão tamanho royal e deixo sair tudo o que penso.
Por isso digo: é difícil gostar de mim. É algo do tipo cara feia do Zagalo gritando na televisão: "vocês vão ter que me engolir" e achando que é bonito ser feio, entendeu?
Sou eu mesma. Isso aqui que vocês lêem. Pontos e exclamações. Destra (não sabiam, né?), mas seguindo todas as direções. E ultimamente tenho percebido que eu mesma tem tido acréscimos sobre mim mesma. Talvez por eu já estar conseguindo a encarar que uma pessoa pode ou não gostar de mim, depende dela somente e não de mim e do meu poder de achar que posso mudar o mundo. Antes eu não era assim. Me sentia péssima quando percebia que podia não agradar alguém ou alguéns. Hoje, sinceramente, é na base do "tô nem ai", afinal, pra alguma coisa essa música (?) deveria servir, né?
Claro, quanto mais pessoas aceitarem meu jeito de ser, me sinto melhor. Ser aceita (e aceitar, óbvio) é algo que faz bem pra pele e pro coração, mas a neura que eu sentia por que fulana era mais amiga da beltrana, fazia mal e hidratante não é algo que gosto de passar. O lance de sentir a pele "gosmenta" e saber que, no verão, vou sentir mais calor do que normalmente já sinto, não me agrada e por isso uso sempre sabonetes que tenham hidratante. Usava somente o Dove, sabem? Mas não acho mais promoção dele. Uma pena. Nenhum bate o milagre que ele faz na pele de quem, como a chata aqui, não gosta de usar hidratante.
Sabe o que percebi? Que não tenho mais usado tanta reticência... (sim, acabei de usar, mas disse antes que não tenho usado tanto e não que deixei de usar) É incrível como isso pode ser um dos acréscimos que comentei acima (não leu tudo, foi?)... (tchanã!) Eu tenho conseguido ser mais direta do que normalmente já sou. Ser mais óbvia. E eu gosto disso. E também se não gostasse, não sei se saberia mudar.
Me traduzo, hoje ao menos, como um ponto. O final. O mesmo que, repetidas 3 vezes, completa a reticência. Talvez eu sempre tenha sido assim... Mas só agora consegui observar.
Beijos em todos e até semana que vem. Com algo menos vago. Ou não. :-D Por que se tem mais uma coisa que eu, Rúbia, Rú, Bia, Euzinha, Bi (exclusividade, oks?) sou é incostante, mas isso fica pra uma próxima vez. ;-)
Teimado por:
Rubia Padilha
Quarta-feira, Setembro 1
um capricorniano ilustre
O convidado da semana (sempre nas quartas-feiras, por enquanto, um capri convidado postará aqui) é um capricorniano ilustríssimo que dispensa apresentações, o poeta e contista Edgar Allan Poe. Poe escreveu novelas, contos e poemas, exercendo larga influência em autores fundamentais como Baudelaire, Maupassant e Dostoievski. Foi um grande contista e o criador do gênero gótico, de horror (só podia ser capri). Quem quiser saber maiores informações sobre este nosso convidado - de vida mórbida e estranha como - nós - cabritinhos do tempo moderno, pode acessar o site EducaTerra. Agora estarei postando as segundas-feiras.
ANNABEL LEE
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
Escrito por Edgar Allan Poe.
Tradução de Fernando Pessoa.